4 de fevereiro de 2013
A arte de andar nos trens do Rio
14 de setembro de 2012
O Bom Artigo a Casa Torna
Esperamos a participação de todos !
Dia 17
10h - Abertura
10h30 - Conferência I
Profª Beatriz Vieira
12h - Almoço
Mesa I – 14-15:30H
Cinema e Historiografia: o Uso do Cinema na Produção do Conhecimento Histórico
Juliana Torquato Garcez
A Questão do Tempo na Idade Média
As Fronteiras e a Guerra: O Papel da Marinha Brasileira na História da Unidade Territorial na Segunda metade do Século XIX
Jessica Gonzaga
Mesa II – 18-19:30H
O Riso como Topoi
Maycon da Silva Tannis
As Contradições da Modernidade: Narrativas e escrita da História na Obra Ivan Ilith, de Leon Tolstói
Stefania Macena Wolff
O Rio de Janeiro nas Crônicas de João do Rio: A Produção Literária como Meio de Acesso ao Início do Século XX da Capital Republicana
Jahi Cezar da Silva
Mesa III - 10-11:30H
Memória Justiça e Verdade e as Leis de Acesso a informação Pública dos Arquivos das Ditaduras Militares Latino Americanas
João Gabriel Guerreiro
A Operacionalidade de Algumas noções para o Estudo das Prisões
Vinicius Vieira
Narrativas sobre a história e ação política no domínio dos enredos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro durante a década de 1980.
Eduardo Pires Nunes da Silva
18h - Profª Laura Nery
19:30h Encerramento
16 de abril de 2012
Afinal, que história é essa?
5 de abril de 2012
Cine Ítaca
Ainda, aproveitamos esse espaço para convidá-los para o próximo Cine Ítaca, que ocorrerá no mês de abril com a exibição do filme votado "O Sorriso de Monalisa" e participação da professora Laura Nery para as discussões posteriores a exibição.
Cine Ítaca
Filme: "O Sorriso de Monalisa"
Dia: 10/04/12
Hora: 14h às 18h
Local: Rav 92 (9º andar, UERJ)
Feito o convite, esperamos vocês para mais um tarde de filme e discussões! =]
Fico devendo a legenda do trailer.
25 de março de 2012
As historiografias que transbordam nossas estantes
É interessante perceber de onde vêm as perspectivas que influenciam as obras históricas. E também é importante pensar o motivo de uma historiografia se fazer necessária. Porém, não é o que farei, apenas apontarei uma constatação notória para gerar discussão sobre o assunto. É visível que alguns países exportam mais historiografia que outros; neste sentido, é ainda mais notável a (in)fluência dos franceses e ingleses entre nós. Se pensarmos na historiografia do século XX então esta fluência é maior, e é aqui que eu pretendo dispensar maior atenção. Assim como uma maior atenção nas disciplinas teóricas e de críticas historiográficas.
Para começar, procuremos observar a quantidade de historiadores alemães, italianos, portugueses, espanhóis, estadunidenses, latinos americanos, orientais, etc., nas ementas dos cursos, nas bibliografias sugeridas. Elas estão cheias de Bloch, Dosse, Thompson, Hill, Hobsbawm... Apenas para um levantamento inicial e sumário, procuremos estabelecer alguns autores mais conhecidos de cada nacionalidade, que produziram no século XX. Da historiografia italiana, nos chegam os micro-historiadores Carlo Ginzburg, Giovanni Levi, Edoardo Grendi; assim como, em menor escala, Carlo Cipolla, Arnaldo Momigliano, entre outros. De Portugal só consigo lembrar do recém falecido Vitorino Godinho, e da Espanha Josep Fontana, grande historiador marxista. Na Alemanha, lembro-me de Jan e Aleida Assman, Jörn Rüsen, que não são tão conhecidos assim, e o famoso divulgador da begriffsgeschichte, Reinhart Koselleck. Do mundo oriental vem Edward Said que tem sua produção mais voltada para os estudos culturais do que para a história, e ainda podemos pensar no marxista russo perseguido pelos czaristas e pelos bolchevistas, Georgi Plekhanov que contribuiu para uma teoria dialética da história. Da América latina a influência é escassa, Lynn Hunt nascida no Panamá se radicou estadunidense, Stuart Hall se aproxima dos estudos culturais mais que da historiografia. Dos nossos vizinhos do norte, temos a canadense Natalie Zemon Davies e os estadunidenses Robert Darnton, Hayden White e Peter Gay, de origem alemã.
Para estabelecer uma relação com os autores supracitados, observemos a lista de historiadores que chegam em terras brasileiras oriundos de França e Reino Unido. Comecemos com os autores de língua inglesa. Famoso entre estudiosos brasileiros, Eric Hobsbawm é um dos maiores expoentes da historiografia marxista inglesa. Historiografia que conta com grandes nomes: Christopher Hill, Edward P. Thompson, Perry Anderson, Edward Hallet Carr. Têm-se ainda os pós-estruturalistas Keith Jenkins e Stephen Bann, os culturalistas Benedict Anderson e Peter Burke. Geoffrey Barraclough é um estudioso da história contemporânea, ASA Briggs do período vitoriano e Hugh Trevor-Roper da Idade Moderna. O número não é tão grande como dos franceses, mas a expressividade é semelhante, sobretudo com os marxistas, Hobsbawm em especial. Dentre os franceses seria preciso fazer algumas delimitações. Principais membros dos Annales: Marc Bloch, Lucien Febvre, Pierre Vilar, Fernand Braudel, Jacques Le Goff, Pierre Chaunu, Michel Vovelle, Roger Chartier, Jean Delumeau, George Duby, etc. Daqueles que não mantêm grande ligação com a revista temos: Pierre Nora, François Dosse, Philippe Áries, Michel De Certeau (estes dois últimos mantinham alguma relação com a revista), Marc Ferro, René Remond, Mona Ozouf, Jean Claude Schmitt, Antoine Prost, entre outros.
Estes levantamentos servem para pensarmos a fluência dos franceses e britânicos nos nossos cursos de história e nas nossas estantes. Longe de acusá-los de historiografias imperialistas, estes levantamentos se pretendem uma reflexão sobre como estas duas linhas entraram nas nossas ementas. Apenas apontamentos, pretendo no (possível) debate a elucidação de alguns destes pontos. No entanto, acredito que seja um válido levantamento, apesar de não consultar um grande número de ementas dos diversos cursos de história.
17 de janeiro de 2012
A alma musical das ruas do Rio, ontem e hoje.
Introdução
Nas linhas que se seguem adiante, procura-se uma análise da musicalidade da cidade do Rio de Janeiro. Por meio de uma comparação feita entre começo do século XX e o XXI, tenta-se apreender como a cidade foi e ainda é musical. Esta comparação é feita por uma perspectiva analítica da crônica do João do Rio, “Músico ambulante”, do livro de crônicas “A encantadora alma das ruas”, e uma outra perspectiva mais empírica de constatação nas andanças pela cidade.
O musical Rio de João
João do Rio inicia sua crônica falando da transumância dos músicos na cidade do Rio de Janeiro. Ele propõe que o desaparecimento dos músicos não se relaciona com os aparelhos de grafofone ou gramofone, inseridos nos cafés, hotéis e botequins da cidade. Mas que quando menos se espera os músicos voltam a aparecer na cidade, expulsando o ar modernista dos aparelhos, e pondo ao gracejo do bom ouvido e do bom publico, uma boa sinfonia. O cronista cita diversos exemplos sobre estes músicos que ora somem e por outra aparecem da cidade. Para ele, o Rio de Janeiro é uma cidade musical, o que se olharmos de hoje é uma evidente constatação, porém, trata-se do inicio do século, onde a música é embalada pelas marchinhas, modinhas e as bandas; não se contava com o samba, e a boemia era diferente.
Outra percepção do autor, e que ele pretende desmistificar, é o aspecto que se dá ao musico como de uma pessoa sofrida, que “morre de fome ao cair das ilusões”. Segundo ele, não aqui, “talvez em outras terras, mais gastas e mais frias” os músicos sucumbam à miséria de uma sofrida vida de ilusões. Pegando a biografia dos pedintes e pretensiosamente sôfregos músicos, pode-se perceber uma vida mui prospera. Algumas regadas a “jogos, mulheres e vinho”, outras de tranqüilidade, mas não em miserabilidade. O que há é uma “fachada” para que se tenha compaixão, mas por trás dela “há tanto interesse como no negociante mais avaro”.
Portanto, a crônica de João do Rio segue duas linhas de pensamento: uma é a de que a tecnologia modernista não acabara com a tradição musical da cidade e a outra é que por trás da fachada do pedinte músico, existe uma vida de muita prosperidade.
Os músicos da cidade hoje
A cidade hoje continua muito musical, há diversos festivais de músicas, os músicos estão entre os “heróis” da cidade, sua decoração se baseia na música, o seu aspecto sonoro lhe é peculiar. Movida a música, o Rio de Janeiro o é em diversos sentidos, porém, será que aquelas linhas de pensamento de João do Rio ainda permanecem. Observemos!
A tecnologia da modernidade de hoje, fluida, não acaba com os músicos da cidade. Tal como o grafofone, os cds player, mp3, aparelhos de som cheio de utilidades, enfim, todas estas parafernálias não tiram o sentido da música levada por uma viola ou guitarra. Mas estes músicos acabam tendo seus espaços restritos; no entanto, paradoxalmente, devido à super velocidade desta modernidade, os músicos acabam por encontrar novos espaços, como os shopping centers, e novos meios de fazerem música, como os Djs. Porém, alguns lugares tradicionais ainda permanecem, mas com nova roupagem, como o boteco, os bailes, as folias, etc. A modernidade acelerada de hoje parece não ter extinguido os músicos, como nos tempo de João do Rio, eles podem sumir por um tempo, mas tornam a cidade fazendo dela uma sonora metrópole.
Sobre o aspecto do músico paupérrimo, podemos constatar dois pontos: os músicos que se aglomeram no Largo da Carioca, tentando vender seus cds; e os músicos que tocam em noites, nas baladas e nos botecos. Apenas para observarmos estes dois pontos, excluímos tantos outros, mas esta exclusão serve para aproximar nosso exemplo com os músicos de João do Rio. Portanto, à margem da generalização, podemos dizer que nos dias de hoje nem todo músico pode se esbanjar nos jogos, nas mulheres e no vinho, sobretudo aqueles do Largo da Carioca. Estes normalmente têm família, e acaba vivendo (ou sobrevivendo) da música. Os músicos da noite acabam por se esbaldar mais na tríade mulher, álcool e jogo, pois já estão inseridos num clima propício para tal.
Portanto, na cidade alguns aspectos permaneceram e outros não. Algumas tradições mudaram, foram incorporadas em novos e espaços e lugares, em novos sentidos. A modernidade do alvorecer do século XXI não limitou a sonoridade da cidade, seus carros, suas obras e todo o resto, lhe soa peculiar. Pois, no Rio de Janeiro poderia se tirar uma melodia no caos sonoro de seu dia-a-dia.
Consideração final
À maneira de uma abrupta conclusão, podemos constatar que o Rio de Janeiro é uma cidade musical, que se seus tradicionais músicos não desapareceram há um século, não poderiam neste agitado começo de século sumir. Cidade musical, o Rio de Janeiro possui na sonoridade um sentido particular de sua identidade: Rio do samba, das marchinhas e da bossa; Rio dos bambas, dos boêmios e dos malandros; Rio de Saldanha, de Donga, Noel, Pixinguinha, Vinicius, Tom e Cartola. Rio de Janeiro, a encantadora cidade maravilhosa, das ruas tortuosas, de músicos a pedir dinheiro para jogar no bicho na primeira esquina. A cidade que tem a música na alma!
Bibliografia:
RIO, João do. Músicos ambulantes. In. ___ A alma encantadora das Ruas. São Paulo: Cia. de Bolso, 2008.
9 de janeiro de 2012
História vista de baixo e micro-história. Um micro-ensaio sobre as formas de olhar o passado.
“Um historiador deve estar decididamente interessado, muito além do permitido pelos teleologistas, na qualidade de vida, nos sofrimentos e satisfações daqueles que vivem e morrem em tempo não redimido”.
Edward Palmer Thompson
Certa vez um historiador britânico, dos mais afeitos à renovação de sua disciplina e também de uma antiga tradição, compreendeu que se deve escapar da perigosa tentativa de apreender a história teleológicamente. Dessa forma, o que o tal historiador pretendia era resgatar dos “ares superiores de condescendência da posteridade” o qualitativo da vida destes sujeitos passados. Edward Palmer Thompson, um dos precursores da idéia de História Vista a partir de Baixo (History from Below), inovou a historiografia inglesa, não só a marxista, mas como todo debate acerca da interdisciplinaridade e da história social.
Na Itália, os anos eram de decadência para a esquerda que se mostrava cansada após os atos terroristas e o retorno do conservadorismo. A necessidade de suplantar aquele vácuo era grande, as soluções imaginadas vinham de fora. Era fora da Itália que se produziam as matérias primas para o diálogo entre a História e as outras Ciências Sociais. Bem disse um autor que a historiografia italiana muito devia à francesa e que a saída dos italianos neste “mercado historiográfico” era a micro-história, foram Carlo Ginzburg e Carlo Poni que fizeram estas observações no final dos anos de 1970. E os italianos deram ao mundo a micro-análise, a possibilidade da perspectiva ao microscópio.
As duas maneiras de observar o passado surgiram num contexto similar, nos idos finais dos anos de 1950 e no decorrer dos 1970. As personagens desta aproximação partem, obviamente, de uma formação diversa, mas se aproximam no decorrer de suas vidas intelectuais. Com efeito, Thompson, Ginzburg, Levi e Grendi, têm alguns pontos característicos entre si. É o olhar ao subalterno, a tentativa de captar a qualidade do vivido, a busca da inovação de seus campos de pesquisa, a atenção dispensada à interdisciplinaridade, e, sobretudo, a fuga do discurso sobre a decadência da razão, que unem estes quatros historiadores.
Daqueles historiadores citados no parágrafo acima, sem dúvidas o menos conhecido do leitor brasileiro é Grendi, ao passo que Ginzburg e Thompson são celebres leituras dos estudantes de cá. Porém, entre Thompson e Ginzburg existe uma conexão, um historiador que saíra da Itália para se aprimorar em Londres e no retorno ao país natal trouxe daquela cidade todo debate sobre a história social e a efervescência que girava em torno deste debate, este historiador era Edoardo Grendi. Levando para a Itália toda uma bagagem de discussões sobre a economia, a antropologia econômica, as ciências sociais (em particular a sociologia) e etc., para uma abordagem da história local em Gênova; Grendi influenciará os estudos de Ginzburg e Levi, lembrando que aquele volta à Itália no começo dos anos de 1960 quando Levi e Ginzburg estão nos seus primeiros escritos.
Da história local para a micro-história, a interferência da história social e da antropologia foram demasiadamente importantes. Buscando analisar uma fonte serial com um maior rigor qualitativo, escrevia-se uma história que procurava articular o micro com o macro. A micro-análise, fruto de todo este debate que envolve o contexto supracitado e as contribuições das historiografias francesa e inglesa, também é herdeira do pensamento de Gramsci. Neste sentido, um dos temas que permeia as obras com a micro-análise é a “classe subalterna” que Antonio Gramsci desenvolveu. Para apreender a classe subalterna, esta forma de olhar o passado foi posta no nível das relações interpessoais. Fora na pretensão de diminuir o escopo que se apreendeu uma saída para as questões sobre a disciplina em voga na época, a história quase biográfica trazia o sentido de analisar não as “gestas dos reis”, mas àqueles que construíram Tebas das sete portas. A microstorie abriu um campo de possibilidades onde se dava agora a voz tirada no passado do moleiro num processo da Igreja Católica, Menocchio teve sua voz resgatada por Carlo Ginzburg em sua análise microscópica.
Da mesma maneira, porém um pouco antes, procurava-se, na Inglaterra, resgatar a história do “pobre tecelão de malhas, o meeiro luddita, o tecelão do tear ‘obsoleto’, o artesão ‘utópico’ (...)”. A intenção aqui também era uma análise qualitativa do passado. Nestas páginas de um curto, porém denso, prefácio, Thompson preparava o campo para sua análise vista de baixo. Ver por baixo o passado possibilitaria ao historiador perceber a história dos vencidos, dos pobres soldados que são extirpados da história, do trabalhador que construiu uma cidade e que não teve sua obra reconhecida, etc. Quando se vê de baixo para cima, percebe-se primeiro a classe subalterna; neste sentido, pode-se perceber a proximidade da história vista de baixo e a micro-história, pois, para além da qualidade da vida que ficou no passado, busca-se àqueles que foram esquecidos, silenciados: pobres agricultores, pequenos soldados, moleiros que se diferenciam do seu vilarejo, trabalhadores que formam consciência de classe...
Não é interesse esgotar o assunto da micro-história e da história vista de baixo nestas poucas linhas, para isso seria preciso uma coleção não muito pequena. A proposta aqui é lançar luz sobre um debate muito fecundo que perpassa já seis décadas e não deixa de ser atual. A tentativa de apreender uma história que possibilite uma nova visão deu ao mundo historiográfico novos problemas, estamos num tempo senão tão diferente, pelo menos com suas peculiaridades. Isso exige de nós, pretensos historiadores, uma “vontade de saber” que possibilite outras visões. Duas formas de olhar o passado deram aos historiadores ferramentas deveras boas para esta percepção, e mesmo com o tempo, não se tornou ainda obsoleto, porém, temos de desenvolver nossas ferramentas. Faz-se necessário uma nova maneira de olhar o passado. A dialética do micro e do macro e a história que se faz de baixo nos deu excelentes obras, porém outros tempos exigem outras teorias que modificam a prática que por sua vez fazem necessidade de nova teoria.
Apêndice
Algumas obras destes historiadores para melhor compreensão destas formas de olhar o passado:
THOMPSON, Edward P. A formação da classe operária inglesa.
________. A história vista de baixo.
GRENDI, Edoardo. Microanálise e história social.
________. Repensar a micro-história?
LEVI, Giovanni. Sobre a micro história.
_______. Herança imaterial. Carreira de um exorcista no Piemonte do século XVII.
GINZBURG, Carlo. Sinais. Raízes de um paradigma indiciário.
_______. Micro-história: duas ou três coisas que sei a respeito.
4 de setembro de 2011
Mais uma vez convidamos a todos para participar do Cine Ítaca (o primeiro desse semestre). Assistiremos o filme "Pink Floyd - The Wall" e o professor Marlon Tomazella irá conduzir o debate após a exibição.
22 de julho de 2011
Férias
O Ítaca andou meio abandonado (meio não, né? Totalmente), mas tem uma justificativa: final de período. Ficamos todos enrolados com trabalhos, provas e seminários. Esse post é só pra esclarecer o sumiço, dizer que o Ítaca ainda está aqui (até porque o Ítaca somos nós e vocês) e que passado o período de férias, que nós merecemos mesmo, voltaremos com tudo! Aguerdem! =]
beijoss,
M.A.
16 de junho de 2011
"Deleitar; Instruir; Mover - O Ensino de História e Manoel Salgado", por Edson Silva de Lima
"DELEITAR; INSTRUIR; MOVER - O ENSINO DE HISTÓRIA E MANOEL SALGADO"
Por Edson Silva de Lima, 5º período de História, manhã, UERJ
13 de maio de 2011
Cine Ítaca
Cine Ítaca
Filme: "Adeus, Lenin!", de Wolfganger Becker
Dia: 20/05/11
Hora: 14h às 18h
Local: RAV-94 (9º andar - UERJ)
Debate com a professora Beatriz Vieira (UERJ)
Esperamos vocês!
Beijos ^^
6 de maio de 2011
Com a palavra, Manoel Salgado
Com a palavra, Manoel Salgado.
2 de maio de 2011
Agradecimentos
Gostaríamos de agradecer a todos os professores que participaram, inclusive aos que prestigiaram o evento mesmo sem compor as mesas. Em especial, aos professores que aceitaram o convite para participar das mesas do evento: as professoras Tania Bessone, Lúcia Bastos, Márcia Gonçalves e Rebeca Gontijo e os professores Durval Muniz, Paulo Knauss e Felipe Charbel.
Também gostaríamos de agradecer aos laboratórios "Redes de poder" e "Leddes", ao técnico Ferreira, ao Departamento de História e a Direção do IFCH.
Agradecemos aos colegas que se prontificaram como monitores do evento: Suzy, Mariana, Luciane, Lívia e Matheus. Aos que participaram como ouvinte, aos da nossa universidade, aos que vieram de outras universidade, aos que nos ajudaram a divulgar porque sem vocês também não haveria evento. Ao Carlos Eduardo, que fez a arte do cartaz, ajudou na divulgação e nas atividades do dia do evento.
E gostaríamos de agradecer, principalmente, ao professor Manoel Salgado. Pois ele, em suas aulas, nos deleitou, instruiu e moveu e por isso foi a pessoa fundamental para a realização desse evento.
Gratos,
Grupo de Atividades Ítaca
15 de abril de 2011
Um Convite
O evento não se trata apenas de uma homenagem, muito mais que isso. Hoje, há uma necessidade de se debater sobre o ensino de historia, sobre o "fazer" historia e o que se pode proporcionar com essa prática. A reflexão sobre nosso papel, nossa responsabilidade, nossas possibilidades e potencialidades deve permear o "ofício" do historiador.
Com o ensino da historia podemos deleitar o público, o interlocutor; podemos instigá-lo, atraí-lo, despertar nele o interesse, a curiosidade e a interrogação. Da dúvida vem a instrução, a descoberta, a discussão, e o enfrentamento com novas formas de interpretação, de pensamento, novas formas de ver o mundo. E então... a comoção, a hora de mover-se, de transformar a si e os outros...

As inscrições estão abertas e podem ser feitas no blog do evento: www.deleitar-instruir-mover.
Esperamos vocês!
24 de março de 2011
Cine Clube Ítaca
Ainda, aproveitamos esse espaço para convidá-los para, e divulgar as informações sobre, o próximo Cine Ítaca, que ocorrerá no mês de abril.
Cine Ítaca
Filme: "Utopia e Barbárie"
Dia: 13/04/11
Hora: 14h às 18h
Local: Rav 94 (9º andar, UERJ)
Feito o convite, esperamos vocês para mais uma tarde de filme e discussões.
beijoss,
M.A.
13 de janeiro de 2011
"Só de sacanagem", de Elisa Lucinda
É preciso iniciativa, vontade... é preciso dar sentido a essa prática.
Enfim... uma indicação para que possamos refletir um pouco (ou melhor, muito). Então, vamos assistir, refletir e discutir. Não deixem de comentar! =]
Um abraço.
"SÓ DE SACANAGEM"
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
22 de dezembro de 2010
Reflexão acerca do individualismo, por Renan Moraes
Reflexão acerca do individualismo
Por Renan S. Moraes, 4° período de História manhã/noite, UERJ
4 de dezembro de 2010
Reflexões sobre Responsabilidade Cidadã
Olá pessoal,
Finalmente resolvi dar o ar da minha graça, via post. Dando uma pausa nas reflexões sobre Ítaca e a viagem que é o nosso blog, venho propor a vocês uma reflexão.
Recentemente, estive no meio de uma discussão acerca da construção de um mundo melhor para as futuras gerações, eis que surge um comentário não tão inovador mais ainda bastante distinto: o da construção de pessoas melhores para o nosso mundo.
Os problemas que implicam essa frase são da ordem de uma questão básica, a qual ou todo mundo finge que não vê, ou ignoram deliberadamente pelo dispêndio que isso requer: dedicação. A sociedade de hoje é extremamente imediatista, exercer um esforço que pretende frutos no futuro é um estorvo quando só se pensa no agora. Esse tipo de pensamento conduz ao individualismo em que nós vivemos. Uma vez que se compreende o quão profundo é o problema, o quanto se está envolvido nele, as proporções colossais aos quais tomam essas questões e no que implica uma mobilização para solucioná-lo, as pessoas se desesperam, nós nos desesperamos.
Estabelecido esse ponto temos dois caminhos a seguir: ignorar e desistir, vestir a viseira do cavalo e reduzir o olhar só ao seu próprio mundo, seus próprios problemas; ou lutar contra isso. Porém, o "inimigo" é muito maior e muito mais complexo do que se imagina. Porque esses "inimigos" somos nós mesmos e o resto do país, acomodado e que banaliza a violência e corrupção, enquanto questões que na sua dimensão micro são aparentemente consideradas sem relevância ou pontuais, como a ética.
Combater esse problema não significa propor uma Revolução como aquela que nós vemos nos livros de História do segundo grau, não significa depor o presidente e instituir um novo governo, não significa romper com a ordem vigente violentamente. Significa sim se impor, se mobilizar, mas atuar principalmente na nossa micro realidade, na nossa pequena dimensão. Os atos que constantemente consideramos sem repercussão política fazem toda a diferença. Os escândalos políticos que nós testemunhamos não são tão diferentes assim quando se reduz o escopo paras as nossas próprias atitudes. A Revolução revolucionária é a realizada todos os dias, mudando uma micro-realidade, rompendo com os hábitos e os vícios, que muitas vezes somos desencorajados a enfrentar.
Alguns podem me considerar reacionário por falar contra aquela Revolução por muitos idealizada, mas se a História pode nos ensinar alguma coisa, e eu não acredito que possa, é que nas Revoluções desse tipo o resultado nunca é aquele por nós idealizado.
Alex Carneiro
29 de novembro de 2010
Sobre Ítaca
11 de novembro de 2010
Ainda sobre Ítaca(s) e viagem (Parte II)
...
Se um historiador pensa em escrever uma narrativa do passado buscando já de início chegar à determinada conclusão, se acredita já saber o “fim”, todo o percurso que se propôs a “viajar” perderá seu sentido, dado que não seria necessário viajar para isso: chegar a conclusões precipitadas sem conhecer, buscando no passado somente a constatação destas.
Olhar para os acontecimentos de nosso passado e compreendê-los apenas em função do nosso presente é um esforço vão, equivocado, pois buscará explicar os processos vividos em um contexto passado a partir de referências do presente, além de levar a visões deterministas – como pensar toda a experiência humana vivida até o momento como uma preparação, uma evolução para se chegar às sociedades atuais. Um viajante não deve sair do seu país acreditando já saber o que a viagem irá lhe proporcionar, mas sim partir do seu lugar disposto a ver a particularidade, a diferença, a especificidade do mundo do outro, e assim ser capaz de pensar outras formas de se relacionar com o mundo, outras concepções, outras formas de dar sentido ao mundo, diferentes de seus referenciais anteriores à “partida”.
O distanciamento de si mesmo, do lugar (“físico” e temporal) onde me formei como indivíduo, abre um caminho para entender que aquele passado foi também um presente. As inúmeras experiências vividas no passado atendiam a visões, relações, interesses e expectativas específicas daquele tempo e lugar. Escrever história tendo “todo o tempo Ítaca na mente” produz uma compreensão dos acontecimentos fora do contexto que lhes deu legitimidade. E o que seria isso senão matar a possibilidade de vida de um tempo que já foi um presente, que se construiu e agiu, produzindo seu próprio sentido.
Nos esquecemos que “aquele presente”, logicamente, foi vivido como tal, enfrentando os problemas de seu tempo e as expectativas de um futuro completamente incerto, indefinido. As gerações de diferentes épocas conviviam com essa incógnita. Viviam e construíam seu cotidiano com perspectivas próprias, vivendo de acordo com suas possibilidades presentes e futuras.
Quando transformamos esse presente em nosso passado, numa idéia de pertencimento e até mesmo de origem, produzimos sentidos únicos e matamos as possibilidades de viver de formas diferentes, de viver outros presentes, para os contemporâneos de determinada época, ou seja, é dizer que um certo acontecimento só poderia ter acorrido como ocorreu. Dessa forma, conseguiríamos a façanha de matar os mortos: matar a possibilidade de vida, de estar em contínuo movimento, de viver daqueles mortos – matar duas vezes, silenciando a vida que existiu naquele passado. Isso seria negar às pessoas de determinado tempo e espaço, negar ao passado, a possibilidade de ser e existir Ítacas.
“Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.”


